Alguns dos jogadores na mesa, para me irritar, costumam dizer coisas como “ele só entende a teoria, jogar que é bom, nada” e coisas do tipo. Algumas vezes me irritam, mas só quando insistem que suas jogadas ridicularmente ruins são boas. Aí eu “pego corda”. Dizem que sou jogador de AK, só porque eu realmente gosto muito demais bastante de AK e porque sempre (ou quase sempre) faço raise PF com AK, a não ser em raríssimas exceções como um tiozão alucinado na mesa do qual podemos contar com seu raise, situação na qual arrisco um limp raise ou (muito mais raro ainda) um limp call por deception e montar trap. Pode parecer absurdo, mas isso é motivo de críticas. Alguns dizem que assim meu jogo é muito fácil de ser lido. É até bom porque mantenho meus ganhos blefando quando tem A no bordo e coisas do tipo. Mantenho meus ganhos em quase tudo, estando com um PTBB bem bacana no live. E no online também, se bem que na net tenho jogado pouco. A única coisa que para mim há tempos era motivo de frustração eram os torneios. Porra, de tanto jogar cash eu tinha perdido o ritmo de torneios e sempre fazia uma merda que me tirava do páreo.
Por conta da Academia também fiquei sem jogar um tempinho, apenas organizando. Até que neste sábado (31/05) tive a oportunidade de jogar, já que era meu dia de folga. E lá fui baralhar. O torneio era o nosso I Best Flop, de buy-in bem acessível ($50) e com rebuy ilimitado por 1h20min. Compareceram 33 jogadores.
Logo na minha terceira ou quarta mão me deparo com AA. Na mesa estava um jogador relativamente agressivo à minha esquerda, que em blinds 10/20 (primeiro nível) já havia apostado T$200 com QQ. A mesa tem dois limpers e faço tudo T$100. Resultado: roubo os blinds… heheheheheheh Mas, vamos que todavia. Nessa primeira mesa aproveitei bem a agressividade para entrar de check-raise em várias situações, levando quase sempre sem ir para o showdown. Ao fim do período de rebuys estava com T$ 2k, apenas o dobro do stack inicial. Resolvi que era uma boa fazer o add-on para não ser tão pressionado pelos blinds e desenvolver um bom jogo no período freezout que iniciava. Acredito que 2/3 ou mais dos jogadores fizeram também o add-on.
Quando voltamos do break me ocorreu uma mão que foi determinante para meu sucesso. Venho com 77 e estava com stack confortável. Outros jogadores que estavam short e outro mediano decidem entrar na disputa após meu raise de MP. 2 deles vão de all in, faltando pouco para que eu completasse e faço também meu shove na intenção de isolar (a priori), em segundo caso, fazer hedge e em última instância maximizar os ganhos. O terceiro jogador, que estava com um stack mediano e me abalaria se ganhasse também entra de all in na jogada. Showdown: Um tinha AJs, outro AQ e outro A4. Beleza! Agora é só não virar o único A e nem J ou Q, sendo que se virasse tanto J quanto Q eu ainda lucraria, já que o A4 era do jogador com maior stack e o size me bastaria. Resultado: não bateu nada e levei um belo pote fazendo “turite” e levando nossa mesa à extinção.
Fui remanejado para uma mesa onde havia um jogador monstro em fichas, que estava bem loose e dando suckout a torto e a direito. Não pude fazer muita coisa a não ser observar até ser novamente remanejado. Nessa outra mesa o marasmo continuou. Fui novamente remanejado, quando já restavam apenas 2 mesas. Essa semifinal foi triste, pois os blinds estavam altos e eu levei uma fatiada pesada ao jogar IP com uma merda tipo A4s para defender o BB do SB que estava voltando tudo. Com bastante sangue frio foldei e tentei me virar com meu agora short stack. Roubei blinds e entrei em uma mão que não me lembro que me deu um gás para a FT.
Na FT dobrei com JJ no BTN contra QKo. 3 mãos depois com JJ fui novamente para um AI quádruplo, sendo que 2 estavam bem shorts e um (o cara do QK) tinha cerca de 2/3 do meu total. Perdi para 97o de um short, mas o side pot foi bem lucrativo, me colocando de volta no game. Não tentei nenhum steal porque os blinds estavam forçando os pushes e não era válido arriscar o stack em um blefe com grande chances de ser pago.
Quando éramos apenas 4 na mesa um dos jogadores estava bem agressivo, shovando toda hora e roubando os blinds altíssimos. Venho com AQo, ele manda seu all in previsto e faço instacall. Ele mostra, decepcionado, 22, mas diz “vamos lá, estou ganhando!”. Era verdade. Tensão total na mesa. Eu torcendo desesperado “A ou Q! A ou Q” O dealer abre rapidamente 345r e continuo meu mantra “A ou Q! A ou Q!!!” O turn vem com um 7. Eu já nervosaço, sem raciocinar direito, suplicando “A ou Q porra! A ou Q!!” E o river vira um 2. “Pega caralho! Trinca!” ele grita. “Tu é um frango, huahauhau!!” Porra, fico desconsolado, sem acreditar. Até que o melhor peru da história dos perus dá a peruada mais perfeita já vista: “Opa! Seqüência pra ele, de A a 5″. As cartas ainda estavam na mesa, mas já viradas, o dealer revira e está lá: 2345. Ninguém tinha visto, a não ser o peru-herói, o Petrus. Foi tipo uma experiência de quase-morte e no último instante me trazem de volta à vida. Levo um pote enorme e volto a ficar confortável.
Mais adiante, outra mão complicada me surgiu. Tenho A9 no SB. O jogador no UTG era a “manja” da mesa e shova. O BTN corre. Eu faço seus T$ 4.000 e mais T$ 5.000 para o BB. Na ocasião eu deveria me restado uns T$ 15k. O BB então faz o call e põe mais T$ 8.000 para ir, seu all in. Essa foi foda! O pote deve ter uns T$ 30k aproximadamente. Meu jogo não é lá essas coisas, mas o que me incentivou a pagar foi a fissela que o BB fez, dizendo ter sido uma péssima hora para eu ter feito o que fiz e que estava em um resteal. Me pareceu uma tentativa de anti tell, fingindo que queria que eu pagasse justamente para eu não pagar. Pronto, meio desanimado fiz o call, pronto para ser bem agressivo na seqüência se perdesse essa mão. Showdown: UTG tem KK, BB tem QQ e eu com meu A9. Fiquei de certa forma aliviado, pois meu maior receio era encontrar algo tipo AT+. O flop vira um 9xx. Minhas chances melhoram um pouquinho. O turn vira um lindo de um A e o river uma carta ainda mais linda, que não lembro qual era mais não era nem Q nem K. hehehehe Outro “turite” e vamos pro HU.
O jogador do HU é um grande parceiro de poker, um dos pioneiros em torneios em Manaus com o qual tive prazer de organizar o maior torneio já visto em terras manauaras. Era o João Luiz.
Ele estava mantendo a agressividade (era o cara do 22) e me roubava os pingos toda vez. Eu percebi que era questão de tempo e paciência para dobrar e ficar na frente. Me vejo com JTo no BTN. Faço um tradicional raise e ele paga. Flop vem J47r. Eu espero o shove e dou mesa. Ele vem de check behind. WTF?? O turn traz um magnífico J. Mando um check, desconsolado (LOL) e ele não resiste: ALL IN! Eu disse o segundo “tá pago” mais rápido da vida. Ele mostra alguma coisa ruim e eu a trincosa. Pronto! Virei chip leader.
Na mão seguinte estou no BB com 64o. Ele, abalado com a trinca de J, apenas completa no BTN. Mesa. Vira 44x. Peço mesa, novamente desconsolado (ROFL) e ele outra vez: ALL IN! Esse foi o “tá pago” mais rápido da minha vida. Viro minha segunda trincosa e ele com Ax, e tava no gutshot straight draw. Não vira nada, nadica e o Especulador (falar na terceira pessoa é legal), o “lilível” (LMAO) leva o torneio e os $1200,00 do prêmio, além do trofeuzim. Caralho, muito bom!
Com isso, eu, que já estava fora do TOP 20 e, conseqüentemente, fora do All Star Amazonas (o torneio de fim de ano com os 20 primeiros), volto com força total na nona colocação. Pena que só posso jogar esses torneios nas folgas da Academia, mas, estamos no páreo e com a moral em alta. E isso é importante pra caralho!
Valeu!